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sábado, 2 de julho de 2011

A Chuva

A chuva é uma dessa coisas que prendem involuntariamente a nossa atenção. De amplitude maior, há aquelas que antecipam expectativas alheias por meio de movimentos intencionalmente pré-projetados. Como abrir mão da fenomenologia, ou existencialismo e hermenêutica? A chuva pouco a pouco passa a ser ignorada, antecipada como o mesmo que já vai passar. É só um (talvez até mesmo longo) momento. Uma etapa do dia que uns passam vivenciandoa-a na pele, molhando-se e correndo; já outros, observam e ignoram. A chuva fica mais fraca, as pessoas percebem e renotam-a. O vento frio que pelas janelas agora entra, fazem-nas por casacos. A chuva já não será mais esquecida. Lá fora, as pessoas já estão a andar por entre a chuva; as gotas formam um fino tecido que amanta-as pela manhã. O aspecto de segunda-feira final de verão, águas de Abril, sobressalta aos olhos. A chuva volta a cair forte, e a essa hora, as pré-expectativas de boa parte dos estudantes observadores do lado de dentro da biblioteca desmoronaram em pequena aflição. É pouca, mas não estava ali, e tira o foco, em alguns vira fome, em outros o banho tomado, o não tomado, o café e a briga de ontem a noite.

 

Tudo vira chuva. 

Igor L.C. 

 

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